quarta-feira, fevereiro 18, 2004

FUTEBOL

Seleccionador antecipa encontro onde quer ver Petit em acção
Scolari confirma onze e fala do teste com a Inglaterra
Scolari coloca Figo entre os 10 melhores do Mundo O seleccionador nacional Luiz Felipe Scolari fez esta terça-feira a antevisão do Portugal-Inglaterra de amanhã, o 13º ensaio para o Euro 2004. O treinador confirmou o onze para o jogo - Ricardo; Paulo Ferreira, Fernando Couto, Jorge Andrade e Rui Jorge; Costinha e Petit; Figo, Rui Costa e Simão; Pauleta - e rejeitou a ideia de que este seja o maior teste na caminhada para a fase final.

«No início do treino, apresentei a equipa que, provavelmente, vai começar o jogo com a Inglaterra. Testei ainda um ou outro jogador, porque não posso não ter a possibilidade de fazer alinhar os mesmos durante os 90 minutos. Foi por pouco tempo, mas essa é a única oportunidade que temos», começou por revelar Scolari, antes de falar sobre a principal novidade, a aposta firme em Petit, médio do Benfica: «É um jogador que tem, dentro do sistema que quero, uma forma de jogar que me agrada. Chega bem de meia distância e atrás tem uma marcação ferrenha. É uma oportunidade para vê-lo, porque da outra vez em que foi chamado não deu. Já coloquei os outros em campo, Petit ainda não. Vamos ver a sua reacção, apesar de já ter jogado muitas vezes na Selecção.»


Com baixas de vulto do lado dos britânicos (Terry e Vassel as mais recentes, Gary Neville, Sol Campbell, Rio Ferdinand e Gerrard as já conhecidas e por motivos diferentes), Felipão nega que Portugal tenha a tarefa facilitada: «A selecção inglesa nunca está fragilizada. Não posso pensar que não tenho o Nuno [Gomes] ou o Postiga, entre outros. Se o Eriksson trouxe esses jogadores é porque tem confiança neles. Vencerá quem tiver mais qualidade. Vamos analisar a nossa equipa, algumas coisas para melhor. O resultado é um facto interessante, mas não nos vai levar ou tirar do Euro.»

Teste após teste, este é apenas mais um. Esta é a principal ideia que se pode retiras das palavras de Scolari na conferência de imprensa realizada logo após o treino no Estádio do Algarve. «Não é o nosso maior teste. Todos os jogos foram importantes, todos nos deram uma ideia, uma contribuição para melhorarmos e vermos o que estava de errado ou de certo para trabalhar em cima disso. Este encontro também é importante porque pode influenciar a chamada de um ou outro jogador ou preparar uma mudança táctica num ou noutro momento», atirou.

Dois avançados, as ajudas e o novo duelo com Eriksson

Michael Owen e Wayne Rooney formarão, muito provavelmente, a dupla de atacantes da selecção britânica frente a Portugal. Uma situação que não é nova durante a preparação e que também não preocupa Scolari: «A maior parte das equipas joga com dois avançados centrais, jogadores do meio ou de ponta que entrem por dentro. Temos de nos saber colocar em campo, não podemos ficar com os dois centrais para os dois pontas-de-lança adversários. Um trinco ou um lateral vão fechar por dentro, é isso que normalmente acontece. É assim que vamos fazer amanhã.»

O seleccionador português foi o único, em 2002, a derrotar Eriksson. Fê-lo durante o Campeonato do Mundo, enquanto responsável técnico pelo Brasil. «Foi bom para mim. Não era uma competição entre mim e o Eriksson, mas entre o Brasil e a Inglaterra. O Brasil teve maior qualidade e venceu», respondeu, antes de voltar a analisar o adversário e a táctica utilizada por este: «É um sistema que tem dado os resultados desejados e tem sido bem executado pelos jogadores que Eriksson tem definido. Trata-se de uma selecção com excelentes jogadores, que melhora de ano para ano a partir de uma base criada. É uma das grandes selecções do Euro. O que falta para vencer uma final ou uma meia-final? A Inglaterra está a trabalhar para vencer o Mundial e o Euro. Muitas vezes é um detalhe que determina a passagem ou não a uma final. Se, no Mundial, tivesse vencido o Brasil podia ter sido campeã do Mundo»