sexta-feira, fevereiro 20, 2004

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Fuck christmas, i got the blues
The Legendary Tiger Man


Este disco tem um tom: é azul. “Blues” é a cor que pinta as 10 faixas tocadas por Paulo Furtado, o único homem deste projecto. Das guitarras do Homem Tigre são projectadas imagens de grandes descampados americanos. Este som vem de lá, do outro lado do Atlântico.
Neste disco o blues está menos despido. Depois dos muitos quilómetros feitos em estrada, não só em Portugal como no estrangeiro, a apresentar “Naked Blues”, Paulo Furtado aprendeu a guiar melhor os seus instrumentos. O resultado disso nota-se no som, que nos traz pormenores que o enriquecem e lhe dão outra alma. Outro trunfo deste CD é a produção de Paulo Miranda, que não se perde em grandes requintes, tentando antes, de maneira sublime, trazer uma certa sujidade para o disco. Durante toda a gravação Paulo Furtado cantou para um micro de carvão da II Guerra Mundial. Mas atenção que fazer o que Paulo Miranda fez não é fácil. Não deixou que o disco pudesse de forma bruta ferir os nossos ouvidos, mas também não deixou que o estúdio transformasse este bules noutra coisa qualquer. Foi ele que “obrigou” Paulo Furtado a gravar a versão de “ I walk The Line”, numa sentida homenagem a Johnny Cash.

Temos assim um disco onde as guitarras nos baralham a alma, em que o bombo marca a batida do nosso coração e em que o silêncio nos deixa respirar para nos atirarmos a novas emoções. Um disco em que não apetece escolher a melhor faixa.

Nuno Ávila