terça-feira, março 02, 2004

ESPAÇO - CAÇA COMETAS EUROPEU NO ESPAÇO

Caça-cometas Rosetta lançada com êxito à terceira tentativaA sonda científica europeia Rosetta foi hoje lançada para o espaço a bordo de um foguetão Ariane-5, tendo pela frente uma viagem de dez anos até ao cometa Churyumov-Gerasimenko, informou a Agência Espacial Europeia (ESA).

O lançamento, duas vezes adiado anteriormente, ocorreu às 07:17 (hora de Lisboa) no Centro Espacial de Kourou, na Guiana Francesa.

A primeira tentativa, na quinta-feira passada, foi cancelada devido à existência de ventos fortes que, se o foguetão lançador explodisse, espalhariam os destroços por zonas habitadas.

Na tentativa seguinte, sexta-feira, o fracasso deveu-se a um problema técnico no foguetão Ariane-5, nomeadamente uma pequena anomalia na protecção térmica do andar principal criogénico.

O foguetão efectuará um voo de mais de duas horas e um quarto, durante o qual dará uma volta e meia à Terra antes de se separar a mais de 1.300 quilómetros de altitude da sonda que transporta.

A sonda Rosetta, construída pelo consórcio internacional EASD-Astrium no quadro do programa de exploração do sistema solar da ESA, tomará então o rumo do cometa, situado a 500 milhões de quilómetros de distância e ao qual deverá chegar em Agosto de 2014.

Será então que a sonda se posicionará em órbita em torno do cometa e levará a cabo a sua principal missão: estudar o núcleo do Churyumov-Gerasimenko e o seu meio-ambiente.

Para esse efeito, em Novembro de 2014 a Rosetta ejectará o módulo de aterragem Philae até ao núcleo do cometa, onde recolherá informações sobre a sua natureza e composição.

Para a ESA, a importância do estudo dos asteróides e cometas deve-se ao facto de serem objectos primitivos do mesmo tipo dos que deram origem aos planetas e às suas luas, permitindo assim aceder a informações sobre as condições existentes durante a formação do sistema solar há 4,6 mil milhões de anos.

O módulo de aterragem foi fabricado em Colónia sob a égide da agência espacial alemã (DLR) e com contribuições da ESA e de centros de investigação na Áustria, Finlândia, França, Hungria, Irlanda Itália e Reino Unido.

O Philae transportará dez instrumentos científicos com que se pretende descobrir os segredos da sua composição química e física, bem como as suas propriedades magnéticas e eléctricas.